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A necessária relação entre Criatividade, Eficácia e Responsabilidade Social

24/10/2014 Por: Editorial Dom Bosco
Por Jansen Filho
 
CRIATIVIDADE
 
Existe um relato que circula há muito tempo no mundo virtual sobre um problema que surgiu durante a corrida espacial entre os Estados Unidos e a então União Soviética: quando os primeiros astronautas foram lançados ao espaço a NASA percebeu que as canetas convencionais não funcionavam no ambiente de gravidade zero. A agência então contratou uma empresa que pudesse desenvolver uma caneta que escrevesse em qualquer situação limite, sem gravidade, de ponta-cabeça, debaixo d´água, em praticamente qualquer superfície, incluindo cristal e em variações de temperatura desde abaixo de zero até mais de 300°C. Gastaram doze milhões de dólares em uma década desenvolvendo a tal caneta. Os soviéticos usaram um lápis.
 

Este relato, na realidade, não condiz com o que verdadeiramente aconteceu, porém, como todo bom mito, não precisa ser real, basta apenas que nos traga algo em que refletir e neste caso podemos pensar no poder da criatividade humana em encontrar soluções simples e confiáveis diante de problemas complexos. Por estar ligada a palavra “criação” a criatividade muitas vezes é confundida com a elaboração de algo novo, vindo do zero, que traga consigo a marca da originalidade e da inovação. Estas características podem estar presentes em muitos processos de criatividade, porém necessariamente não precisam fazer parte dele. Neste ponto é onde aproximamos o conceito com a eficácia de uma solução. Não queremos aqui iniciar um debate sobre quais protagonistas de nossa história foi mais criativo ou mais eficaz, mas sabemos que no mundo corporativo, mais do que nunca estas duas dimensões precisam caminhar juntas.

 
Neste sentido, um dos principais problemas que têm afligido as empresas, as corporações e grande parte da sociedade é a questão da sustentabilidade e da responsabilidade social. O problema é complexo por abordar uma gama enorme de valores e princípios sejam éticos, morais, políticos ou financeiros. A primeira coisa que se deve considerar nesta questão é a própria situação que as empresas se encontram não só no contexto local, mas também mundial. Vamos começar por tecer considerações sobre este último aspecto, o contexto da mundialização, para depois falarmos sobre o ambiente local.

 
A globalização é um fenômeno que se estende por várias dimensões sociais. Vai desde a perspectiva econômica, perpassando pela tecnologia da informação, pela política, pelos valores culturais, atingindo até a identidade social dos indivíduos. Ou seja, nela temos uma verdadeira intensificação das relações sociais que se amplificam para uma escala mundial.

 
A pressão que recai sobre as empresas inseridas neste universo é a de assumir sua responsabilidade moral e de primar por um mundo mais justo, promovendo comportamentos éticos. Sem dúvida as grandes organizações tem o poder de inspirar comportamentos nobres, porém o contrário também é possível. Uma empresa que tenha grande influência entre crianças e jovens pode, com certa facilidade, disseminar uma mentalidade egoísta, inconsequente e narcisista entre seu público, de modo tão sorrateiro que mesmo os pais tenham dificuldades em perceber.
Um bom exemplo disso está nas propagandas que são veiculadas pelas várias mídias. No início de 2013 uma peça publicitária da Coca-Cola, mostrava uma garota tomando um táxi e como ela estava atrasada para seu compromisso, o taxista, para ajudá-la faz manobras arriscadas no trânsito com direito inclusive a "cavalo de pau". O Conar considerou a peça deseducativa e perigosa e a empresa teve que retirá-la do ar.  Talvez o maior desafio de uma empresa seja exatamente ser uma fonte de inspiração que venha a transformar algumas características perversas e selvagens do capitalismo global, e isto se faz com criatividade e ao mesmo tempo eficiência.

 
Falando agora em um contexto mais local e trazendo de volta a pequena estória que contamos no início deste artigo, as questões que se colocam frente a qualquer desafio que temos são: Qual é o fundamento do nosso problema? Quais recursos temos para solucioná-lo? Como as pessoas esperam que sejam resolvidos?
A resposta a estas questões passam pela consciência de qual papel a empresa cumpre dentro da sociedade. Os gestores e administradores precisam ter foco naquilo que sua empresa ou corporação representa dentro da sociedade em que está inserida. As pessoas esperam algo da empresa, porém muitos administradores ainda pensam que o foco central de uma empresa deve ser o lucro e não o serviço ou a utilidade que determinado produto tem na vida de quem o adquire. O consumidor não compra um produto em si, mas sim uma utilidade ao qual o produto ou serviço oferecido se presta. Isto exige que a empresa esteja ciente das necessidades, realidades e valores do consumidor. Uma empresa cumpre sua razão de ser quando está voltada para a função social que justifica sua existência em relação à sociedade.
 

Uma vez tendo presente as necessidades da sociedade, dos serviços e produtos voltados para a educação, para a saúde, para as cidades, para os relacionamentos interpessoais e para o meio ambiente enfim, cabe ao administrador entender estas demandas e transforma-las, com eficácia e criatividade, em oportunidades que possam se desdobrar em negócios lucrativos.
 
 
 Criatividade
Jansen Filho é formado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília em 1999, fez Especialização em Filosofia e Existência pela mesma instituição em 2002. Possui Mestrado em Tecnologia e Sociedade e atualmente faz MBA em Gestão do Conhecimento no Ensino Superior pela Faculdade Dom Bosco, onde leciona Filosofia, Ética e Responsabilidade Social.
 

 


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