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Inovar é preciso? Uma reflexão sobre a relação entre discurso e prática na inovação das organizações

25/09/2014 Por: Editorial Dom Bosco
 Por John Jackson Buettgen

John Jackson Buettgen 

Mestre em Administração pela Universidade Regional de Blumenau. Especialista em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Graduado em Administração de Empresas pela Fundação Universidade Regional de Blumenau. Na academia atua como professor e coordenador de cursos de graduação e pós-graduação, além de ser professor-autor, com sete obras para o ensino à distância. Atua como consultor e palestrante nas área de operações, inovação e recursos humanos. Membro da JCI (Junior Chamber International), organização mundial dedicada a formação de cidadãos e lideranças socialmente ativas. Membro da Cátedra Ozires Silva de Empreendedorismo e Inovação Sustentáveis, grupo de pesquisa vinculado ao ISAE/Fundação Getúlio Vargas, de Curitiba/PR.



 

 
 

 

 

Muito se fala sobre inovação. É tema recorrente nas conversas de empresários e acadêmicos do mundo inteiro. Isso nos leva a acreditar que tem sido levado a sério e tem gerado mudanças significativas na forma como as organizações são geridas. Será que isso é verdade?

Talvez as coisas ainda não estejam do jeito que gostaríamos. Uma pergunta se faz necessária. Se tanto se fala em inovação, porque tão pouco se faz? Uma pesquisa¹ revelou que 96% dos executivos entrevistados acreditam que a criatividade é essencial para a sua empresa. Contudo, apenas 23% consideram implementá-la de forma exitosa. Isso é preocupante, uma vez que a criatividade é a base da inovação. Está bem. Isso ainda não responde a nossa questão.

Talvez possamos tentar identificar uma resposta na pesquisa The Global CEO Study, realizada pela IBM ², em 2006. Trata-se de um conjunto de 765 entrevistas realizadas com presidentes e líderes empresariais, na qual foram perguntados sobre as fontes mais significativas das ideias de inovação. Veja os resultados:

Funcionários

41

Parceiros

38

Clientes

37

Consultores

21

Concorrentes

20

Associações, feiras e conferências

18

Vendas internas e unidades de serviço

17

Pesquisa e Desenvolvimento

16

Academia

13

 

Parece que mais uma vez temos uma desconexão entre discurso e ação. Se os gestores sabem que a maior parte das ideias inovadoras surge dos seus funcionários, porque, na maioria das empresas, inovar é missão do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)? Será que esses elementos podem nos levar a acreditar que as organizações estão acordando para o fato de que inovação não é uma atribuição de um determinado departamento? Inovação é resultado de uma mudança organizacional mais profunda.

Então vejamos por uma outra perspectiva. Em 1998, Peter Drucker³ já afirmava que “a inovação é o esforço para criar mudanças objetivamente focadas no potencial econômico ou social de um empreendimento”. Percebe-se que ele apontava para a inovação como um agente de mudanças. Hoje sabemos que mudanças passam pelo comportamento das pessoas da organização. Nesse olhar de Drucker, a inovação é de grande importância para a sobrevivência competitiva das organizações, dado o potencial econômico que pode mobilizar.

Vejamos alguns dados recentes. A pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor 4 é o principal espaço de discussão sobre empreendedorismo no mundo. Tem como objetivo o papel da atividade empreendedora no desenvolvimento dos países e as condições responsáveis pelas diferenças na capacidade empreendedora dos países. Para efeito dessa pesquisa, algumas características são apontadas como qualificadoras de um empreendimento:

a)    Conhecimento dos produtos ou serviços: novos para alguns ou para todos

b)    Concorrência: poucos concorrentes ou nenhum

c)    Orientação Internacional: acima de 1% dos consumidores são do exterior

d)    Idade da tecnologia ou processo: até 5 anos

e)    Empregos atualmente: pelo menos 1 emprego

f)     Alta expectativa de geração de empregos: mais de 10 empregos e 50% de crescimento nos próximos 5 anos.

g)    Faturamento: acima de 60 mil reais anuais

Perceba que os itens “a”, “b” e “d” estão diretamente relacionados com a capacidade inovadora da organização. Segundo a pesquisa, em sua edição de 2013, apenas 0,1% dos empreendimentos brasileiros poderiam ser enquadrados no mais alto nível de sofisticação e inovação.


Figura 1: Nível de sofisticação de empreendimentos iniciais (Brasil)
Fonte: Macedo et al (2013)
 

Como se pode ver, temos um abismo entre o que se fala e o que se faz. Se lançarmos agora um olhar para a sociologia organizacional, podemos perceber que a inovação tem relação com persistência. Nem sempre as coisas dão certo numa primeira tentativa. Ajustes são necessários. A cultura organizacional precisa aprender a fazer escolhas e perceber que tipo de inovação é a mais adequada para a empresa. Incremental ou radical, a inovação traz consigo impactos diversos.

Inovar é assumir o risco que acompanha as tentativas. Inovar tem relação com experimentação, que tem possibilidades de acertos e de erros. Muitas organizações estimulam a criatividade, mas reprimem o erro. Falha básica que destrói a iniciativa inovadora de grande parcela dos colaboradores. Quem se arriscaria a inovar num ambiente em que o erro não é tolerado?

Aqui entra a grande responsabilidade das Instituições de ensino superior. A oferta de cursos que tragam em seu bojo o estímulo a inovação. Que elaborem grades curriculares que formem futuros gestores capazes de perceber a importância da inovação como divisor de águas de uma economia dura e de um mercado de hipercompetição. Cabe a elas formar uma massa crítica. Futuros gestores que tenham em seu DNA a inovação. Crentes de que inovar é preciso.


Referências

BES, Fernando Trías de; KOTLER, Philip. A Bíblia da Inovação: Princípios fundamentais para levar a cultura organizacional da inovação contínua às organizações. São Paulo: Leya, 2011. 332 p.

DRUCKER, Peter F.. The Discipline of Innovation. Harvard Business Review, nov-dec, 1998

MORTIMER, Ruth. Turn Creativity into  Strategy fou Success. Marketing Week, 16 jul. 2009.

MACEDO, Mariano de Matos at al. Global Entrepreneurship Monitor: O Empreendedorismo no Brasil - 2013. Curitiba: IBQP, 2013. 170 p.

 


Mortimer (2009)

2 IBM (2006) apud Bes e Kotler (2011)

3 Drucker (1998)

4 Macedo et al (2013)



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