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Professor de educação especial é essencial em escolas, afirma especialista

15/12/2016 Por: Vanessa Cagliari

Educação especial

A rede de ensino público do Brasil avançou muito no quesito acesso, mas ainda existem aspectos que precisam ser melhorados como a qualidade e investimento na capacitação de professores em educação inclusiva para atender todas as necessidades dos alunos, como os autistas, por exemplo. Para inseri-los de verdade em escolas regulares, é necessário desenvolver uma boa rede de apoio entre alunos, docentes, escolas, famílias e profissionais de saúde.
 
 
Com o objetivo de descobrir quais estratégias são viáveis e eficientes para que essa proposta se torne realidade, conversamos com Fabiana Burgos T. Garcia, especialista em educação especial na área de transtornos globais do desenvolvimento (TGD).
 
 
 
1.O que deve ser feito para que a educação inclusiva seja garantida para a aprendizagem de todos os alunos em escolas regulares?
 
Fabiana: São vários fatores envolvidos. A lei obriga a matrícula do estudante na sala regular mas não garante o sucesso de sua escolarização. Isto deve ser garantido pelo sistema de ensino que por sua vez é falho. O estadual tem várias iniciativas como curso de especialização em educação especial gratuito na UNESP para os professores de Ensino Fundamental e Ensino Médio e também para os professores de sala de recursos, mas que têm baixa adesão a meu ver.
 
Também prevê a implantação de salas de recursos exclusivas para TGD, no entanto serão salas polo que atenderão mais de uma escola (podendo chegar a 10 escolas) e, na minha opinião, isso não funciona, pois o estudante com Transtorno do Espectro Autista, por exemplo, necessita de apoio na escola o tempo todo, mesmo que seja de grau leve.
 
No caso do sistema municipal, Paulínia e Campinas, por exemplo, possuem salas de recursos ou apoio uma por escola, mas são multidisciplinares, ou seja a maioria das vezes há 1 professor especializado em educação especial. Por exemplo, ele tem que atender cegos, surdos, deficientes intelectuais e TEA numa mesma classe.
 
No caso das escolas privadas, a coisa complica ainda mais. Se sentem desobrigados de oferecer a sala de recursos, mas é previsto sim na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e a Nota técnica 15/2010 do MEC orienta, que eles devem seguir a legislação vigente. Também não investem em formação do professor, querem cobrar dos pais custo extra para contratar um professor de educação especial e tantas outras barbaridades puníveis com multa.
 
Simplificando, acredito que é preciso investir na formação do professor, mas para se ter uma ideia, as diretrizes para o curso de Pedagogia, por exemplo, somente cita que na graduação deve-se oferecer noções da educação especial, assim bem generalizado. Por outro lado, o professor também tem sua parte a fazer.


 
 
2.O que pode ser feito para melhorar esse cenário? Como uma escola deve fazer o projeto pedagógico inclusivo?
 
Fabiana: O projeto pedagógico é obrigatório para todas as escolas e chamamos de PPP (Projeto Político Pedagógico). Nele, é necessário que exista um planejamento para a educação especial, pensando no público da própria escola, pensado pelos professores da sala regular, equipe gestora e, claro, pelo professor de educação especial e família, em conjunto. O ensino colaborativo é o caminho. Sem o envolvimento de todos não há inclusão. A família também é fator imprescindível.
 
Tenho um filho portador da síndrome de Asperger e, certa vez, ouvi da diretora da escola do meu filho: Não estamos acostumados a trabalhar com a parceria da família e da saúde, precisamos aprender! (Isso aconteceu quando eu tentava ajudar professores dele e estes insistiam em dizer que eu estava protegendo-o). Gostaria de deixar registrado que há um erro muito grande que é praticado pelos professores e que acaba dificultando ainda mais o trabalho deles: basear-se no senso comum.
 
Eles acreditam que o autista "vive num mundo próprio", não interagem, são quietos, têm estereotipias, etc., e quando chega um que é hiperativo, fala demais, é agressivo, e outras características, acham que é uma criança indisciplinada que a mãe não dá limites.
 
É preciso dizer que há vários "graus" e que por isso chamamos de TEA (transtorno do ESPECTRO autista), onde cada um é cada um, cada um tem suas características singulares, como nós, e que por isso, é preciso conhecer o estudante, e a família é um canal importante para isso, a fim de poder direcionar metodologias e estratégias mais adequadas de ensino. Todos são capazes de aprender, mas cada um num tempo e de uma maneira, assim como os neurotípicos (assim que chamamos os "normais"), para isso é preciso dedicação e busca por conhecimento.
 
 
 
3.Quais habilidades e conhecimentos você adquiriu ao fazer o curso de especialização em educação especial?
 
Fabiana: Bom, a educação especial dá ao professor o conhecimento legal e histórico, além de posicionar o professor com relação ao trabalho com a diversidade na sala de aula comum. Eu, por exemplo, sempre trabalhei em salas regulares onde haviam alunos com deficiência auditiva, alunos com TEA, deficiência visual, mas nenhuma orientação me era dada. Não fosse pela sensibilidade que já fazia parte da minha pessoa, não teria feito qualquer trabalho com eles, o que é muito comum acontecer.


 
 
4.Quais as principais necessidades desses alunos?
 
Fabiana: Acredito que seja a adequação do ambiente e do currículo baseado nas características de cada um. É claro que muitas coisas são "padrão", como evitar o excesso de estímulo visual, explicações o mais concretas possível com o uso de imagens e vídeos, evitar sons muito altos inclusive tons de voz, diminuição na quantidade de escrita (muitos deles sofrem demasiadamente com a escrita e oferecer outros meios como a oralidade ou o uso de computadores é uma alternativa), estimular a interação com os colegas, etc.
 
Assim como todos os estudantes, cada um tem necessidades especiais para aprender e é preciso identificá-las. Para isso, a presença de um professor de educação especial é primordial a fim de se estabelecer um Programa de Escolarização Individualizado (PEI) em conjunto com os professores da sala regular e equipe gestora da escola, para que as suas potencialidades sejam trabalhadas. Este deve ser o foco, suas potencialidades, suas habilidades e nunca suas dificuldades.

 
 
5.Fale da importância da escola e da família em buscar informações para saber lidar com crianças autistas.
 
Fabiana: É imprescindível se conhecer mais sobre TEA para que a família, assim como os professores, possam identificar mais cedo os sinais e partir para a busca do diagnóstico e intervenções o quanto antes. De posse deste diagnóstico, não deixar de obter conhecimento para oferecer mais estímulo e apoio à criança e aos que convivem com ela. Os professores buscarem conhecimento, como já falei, é de suma importância e, acho que acima de tudo, ouvir o que a família tem a dizer sem que o senso comum atrapalhe esta pareceria, afinal, a família conhece muito mais da criança do que qualquer outra pessoa.
 
 
Fabiana Burgos T. Garcia é especialista em educação especial na área de transtornos globais do desenvolvimento pela Unesp. Presta assessoria pedagógica à famílias e escolas com relação à TEA, inclusão escolar (aspectos legais), formação de professores e também sobre adaptação curricular. Escreve para o blog o "Outros olhos para o Autismo". Acesse.
 
 
 

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