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Qualidade de vida no trabalho como Gestão Estratégica

29/09/2014 Por: Editorial Dom Bosco
Por Gislaine Teles Rodrigues Potta
 
 
Gislaine Teles Rodrigues Potta
Mestre em Organizações e Desenvolvimento na área de Organizações e Dinâmica Socioeconômica pelo Centro Universitário Franciscano do Paraná (2011). Especialista em Gênero e Sexualidade pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ, 2014). Bacharel em Administração pelo Centro Universitário Franciscano do Paraná (2006). Atualmente atua como professora assistente da Faculdade Dom Bosco - PR, na área de Comportamento Organizacional e Gestão de Pessoas. Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Relações de Gênero e Tecnologia- GeTec/UTFPR. Realiza pesquisas sobre gênero e organizações, diversidade e gestão de pessoas.






 



A qualidade de vida no trabalho tem sido um tema recorrente nos Fóruns Acadêmicos e Profissionais, ganhando destaque por sua importância estratégica em transformar seus modelos de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) em vantagem competitiva estimulando a eficiência e satisfação no trabalho.

Pode-se dizer que o conceito de qualidade de vida no trabalho evoluiu não como um modismo que vem e passa, mas sim como uma mola propulsora sobre a produtividade e a qualidade ganhando destaque na forma de gerir as estratégias organizacionais. Porém os conceitos ou concepções referentes à qualidade de vida são bastante diversos, o que lhe confere um caráter interdisciplinar com várias facetas promovendo uma articulação de ideias ao redor de suas origens históricas e de sua contemporaneidade.

Para Chiavenato (2004, p.448), o conceito de QVT “envolve tanto os aspectos físicos e ambientais, como os aspectos psicológicos do local do trabalho”. A qualidade de vida é a gestão do bem-estar (boa nutrição, exercícios físicos, boas relações pessoais, familiares, sociais e o controle do estresse) destaca-se pela importância das pessoas nas relações humanas no local de trabalho. Segundo Albuquerque e Limongi-França (1998, p. 42), Qualidade de Vida no Trabalho é um “conjunto de ações de uma empresa que envolve diagnóstico e implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais dentro e fora do ambiente de trabalho, visando propiciar condições plenas de desenvolvimento humano para e durante a realização do trabalho”.

Verifica-se a importância da organização alinhar suas estratégias de gestão da qualidade de vida para satisfazer seus clientes internos, os quais são responsáveis pelos produtos e serviços oferecidos, atingindo assim diretamente seus stakeholders (clientes, fornecedores, acionistas e demais atores sociais).

A QVT envolve esforços tanto estratégicos quanto comportamentais nas relações individuais e grupal como: fatores motivacionais, flexibilidade, adaptação às mudanças no ambiente de trabalho, criatividade e inovação, autonomia nas decisões. No entanto a gestão de qualidade de vida no trabalho demonstra um esforço dos gestores de Recursos Humanos em conduzir com eficiência os pilares da QVT (alimentação; atividade física; afetividade; sexualidade; sono; lazer; trabalho e civilidade) porém os indivíduos precisam tomar consciência da necessidade de se adotar estilos de vida e hábitos saudáveis. É um direito e um dever de cada um de nós, cuidarmos da saúde e termos boa qualidade de vida.

Para Motta e Freitas (2000) as empresas têm cada vez mais importância na vida dos indivíduos e as relações estabelecidas no mundo do trabalho tendem a monopolizar a vida social dos sujeitos. Na verdade o indivíduo busca mais que relação de trabalho, recompensa financeira e status do que a empresa pode lhe proporcionar. No ambiente de trabalho o indivíduo consegue construir seu social e sua estima, tendo uma relação tanto afetiva quanto psicológica com o trabalho. São condições fundamentais para a qualidade de vida a motivação e satisfação na vida profissional como consequencia a qualidade no desempenho, por isso a relação entre indivíduo e organização é sistêmica e as organizações precisam cada vez mais de modelos de qualidade de vida no trabalho que saibam conduzir a complexidade das relações humanas no ambiente de trabalho. Nas organizações não existe só o trabalho, neste ambientes organizacionais são construídas também as relações humanas, desejos e aspirações os quais podem encontrar espaço para se realizarem e onde a excitação e o prazer da conquista convivem com os pesadelos e angústias do fracasso. Isso mostra que há vida nas empresas o ser humano não é máquina, ele sonha e realiza sonhos, expressa alegrias, frustrações, inquietações, grandiosidade e fragilidades, e é na empresa que ele vai ter possibilidades de realização da fantasia e da conquista, do reconhecimento e do poder, atingindo seu ideal (MOTTA E FREITAS, 2000).


As pessoas passam boa parte de sua vida trabalhando dentro das organizações. O trabalho toma considerável tempo da vida e do esforço do indivíduo, que dele dependem para sua subsistência e sucesso pessoal e profissional. Condições de trabalho inadequadas e comportamentos autoritários e estressantes provocam doenças e comprometem a qualidade de vida. Esforço físico e repetição; trabalho sob pressão; condições ambientais inadequadas; equipamentos/móveis inadequados; exigência exagerada de dedicação (workaholics). As organizações se apoiaram em diferentes modelos de gestão, que tiveram consequencias para os trabalhadores desencadeando sintomas de doenças psicossomáticas, doenças sociais, principalmente o estresse. Novas crenças, no padrão de exigência no trabalho passaram a existir, obrigando cada vez mais o indivíduo a se entregar ao trabalho. Segundo Gaujelac (2007), as empresas discursam que é dever de cada trabalhador se cuidar, que é ele quem deve gerenciar as consequencias do estresse e aprender a viver com a situação. As condições de trabalho não são postas em questão. Para a empresa, o estresse tem um caráter estimulante, que é preciso aprender a transformá-lo em estimulo positivo, que ele é unicamente consequencia de comportamentos individuais e muitas vezes os comportamentos são baseados em crenças, questões filosóficas, os quais precisam ser modificados.


Segundo Azevedo e Neto (2011) alguns mitos precisam ser demolidos:
  • Quanto mais se trabalha melhores os resultados;
  • Gastar dinheiro com prevenção e segurança é desperdício;
  • Funcionários precisam ser controlados o tempo todo;
  • Dar autonomia e direito de participação gera bagunça;
  • As pessoas trabalham só para ganhar dinheiro;


As organizações tem implementado múltiplos enfoques quanto a Gestão da Qualidade de Vida no trabalho, procurando envolver todos os níveis organizacionais como: a Gestão Estratégica (missão e políticas organizacionais); Gestão Gerencial (responsabilidade dos gerentes de linha). Gestão Operacional (bem-estar e conscientização de todos quanto a melhorar o estilo de vida e saúde).

Sendo assim a Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho inclui uma abordagem sistêmica com a adoção de programas de bem-estar em busca da prevenção de problemas de saúde e de reconhecimento dos funcionários com ênfase em alguns setores:  benefício, saúde, higiene e segurança, qualidade, recursos humanos, comunicação, cidadania organizacional, responsabilidade social e valorização do lazer, esporte e cultura. Proporcionando uma gestão eficaz baseada em ações de desenvolvimento social e pessoal de maneira responsável.



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REFERÊNCIAS
 
ALBUQUERQUE, L. G.; LIMONGI-FRANÇA, A.C. Estratégias de Gestão de Pessoas e gestão da qualidade de vida no trabalho: o stress e a expansão do conceito de qualidade total. In: Revista de Administração, São Paulo, v. 33, n.2, p. 40-51, Abr./Jun. 1998. Disponível em: < http://www.rausp.usp.br/busca/artigo.asp?num_artigo=144>. Acesso: 19 set 2014.
 
 
AZEVEDO, Clovis Bueno de; NETO, Leopoldo Antonio de Oliveira. ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS II. CD,  Rio de Janeiro: FGV, 2011.
 
 
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: e o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
 
GAUJELAC, V. Gestão como doença social: ideologia, poder gerencialista e fragmentação social. Aparecida, São Paulo: Idéias & Letras, 2007.
 
MOTTA, Fernando C. Prestes; FREITAS, Maria Ester de. Vida psíquica e organização. 2 ed. Rio de Janeiro: FGV, 2000.

 
 
 

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